Algumas pessoas consideram as tatuagens ou outros tipos de modificação corporal “coisa de vagabundo”. Mas o que a religião e a história têm a falar sobre isso?
Existem várias provas arqueológicas que afirmam que as primeiras tatuagens foram feitas por volta de 4000 e 2000 a. C. no Egito e também em lugares como Filipinas, Indonésia, entre os Maoris (na Nova Zelândia) e na Polinésia.

Na Idade Média a Igreja Católica baniu as tatuagens da Europa e, no ano de 787, elas foram proibidas pelo Papa da época, pois eram consideradas práticas demoníacas que caracterizavam vandalismo ao corpo. Essa doutrina católica afirma que tatuar o seu corpo era sinônimo de desprezar o templo do Espírito Santo, o corpo. Porém, alguns grupos, como os Cavaleiros de São João de Malta, ainda tinham o costume de fazer tatuagens em seus membros. Segundo a História, sempre que tribos pagãs com o costume de usar tatuagens se convertiam ao Cristianismo, a primeira prática a ser banida era o uso de tatuagens, piercings ou escarificações.
As tatuagens são totalmente proibidas no Judaísmo. Os rabinos contemporâneos explicam que essa proibição faz parte das restrições de modificações corporais que não devem ser feitas por motivos médicos, com exceção do ritual da circuncisão. Um líder judeu do século 12 diz que a proibição das tatuagens é uma resposta judia contra o paganismo. Na época do holocausto, os nazistas tatuavam judeus para ofender sua fé. E é bem comum que qualquer pessoa com tatuagens não seja enterrada em um cemitério judeu, pois estas são vistas como um motivo maior de repulsa dentro da religião.
Steve Gilbert, autor do livro “Tattoo History: A source book” diz que quando Cortez e seus descobridores chegaram no México por volta de 1519, ficaram horrorizados, pois descobriram que os nativos adoravam ao demônio não só por meio de ídolos e estátuas, mas também por marcas inapagáveis na pele. E, mesmo com os católicos espanhóis não tendo qualquer contato anterior com as tatuagens, passaram a considerá-la “obra de Satanás”.
Os Mórmons são avisados pelos seus líderes que não devem tatuar o corpo. Eles acreditam que o corpo é um templo sagrado, e que seus fiéis devem manter o corpo limpo. Ou seja: a prática de tatuagem é totalmente desencorajada e não recomendada.
Os Muçulmanos sunitas acreditam que se tatuar é um pecado porque tem a ver com mudar a criação de Alá (Deus, em muçulmano), mas as tatuagens são permitidas no xiismo e existem várias opiniões quanto à proibição de tatuagens entre os sunitas.
Os Hinduístas encorajam a fazer uma marca na testa, e as mulheres geralmente possuem pontos tatuados em volta dos olhos e queixo, para aumentar a beleza e o bem-estar espiritual. Algumas tribos utilizam as tatuagens para se diferenciar de outros clãs e grupos étnicos.

Como podemos ver, durante toda a história do homem as tatuagens estiveram relacionadas a paganismo, demonismo, misticismo e praticamente todos os tipos de práticas pagãs conhecidas. Tatuagens nunca fizeram e talvez nunca façam parte da vida de uma pessoa reta e temente a Deus, segundo a religião. E pesquisas e estudos, sem exceção, mostram que as tatuagens estão relacionadas ao paganismo. Em muitas culturas, o tatuador é ao mesmo tempo um xamã, um “magick-man”, um sacerdote ou sacerdotisa. De acordo com o dicionário, xamã é um intermediário entre o mundo natural e o mundo sobrenatural que usa magia para curar doenças, prever o futuro e controlar as forças espirituais. O tatuador, ou, no caso, o xamã, usaria a tatuagem como um ponto de contato ou zona de entrada com o mundo espiritual. E em pleno século 20, de fato, acredita-se em alguns países ocidentais que as “decorações corporais” são a passagem para o sobrenatural. A famosa escritora e bruxa Laurie Cabot escreve o seguinte sobre tatuagens, “As origens da tatuação estão relacionadas com artes mágicas antigas.”
Muitas tribos antigas usavam as tatuagens como forma de terapia ou uma espécie de aceitação no mundo espiritual. Os Ojibwa tatuavam as têmporas, testas e bochechas dos que sentiam dor de cabeça ou dor de dente quando julgavam que essas eram causadas por espíritos malignos. Já os Mohave tatuavam o queixo de ambos os sexos, pois acreditavam que uma espécie de juiz observava todos os que chegavam à terra dos mortos, e que, se alguém não possuísse essa marca na face, ele a mandava para o submundo. Outras tribos indígenas acreditavam que, durante a passagem para o outro mundo, eram parados por uma mulher que procurava marcas em seus rostos ou pulsos. Caso essas marcas não existissem, a pessoa seria empurrada de um ponto alto na Terra sem a menor esperança de aceitação no mundo espiritual. Outras tribos acreditavam que as mulheres sem tatuagens seriam comidas pelos deuses. E os hindus de Bengal diziam que sem as tatuagens os pais não reconheceriam seus filhos no outro mundo.

Um pastor, quando perguntado sobre jovens tatuados, disse: “Civilizações pré-históricas já se tatuavam no Egito, na Babilônia, na China, na África e nas Américas muitos anos antes de Cristo”. Em todas estas civilizações a tatuagem visava basicamente destacar a religiosidade nos cultos prestados aos seus deuses. A tatuagem é, na verdade, uma marca que a pessoa faz em seu corpo para transmitir uma mensagem sem palavras. A tatuagem é, também, expressão de um simbolismo de pacto. Ao se tatuar a pessoa estabelece uma relação de apreço, admiração, apologia, identificação e consagração ao símbolo marcado na pele. Ela pode ser evitada por um jovem cristão pelas seguintes razões:
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